Alergias na primavera: tudo o que precisas de saber para finalmente respirar

   04/28/2026 11:49:01     Home
Alergias na primavera: tudo o que precisas de saber para finalmente respirar

Abril chegou, os dias estão mais longos, há flores por todo o lado — e o teu nariz não pára de pingar. Os olhos coçam, a garganta faz cócegas, e há espirros que aparecem mesmo na hora menos oportuna. Se te revês nesta descrição, bem-vindo ao clube das alergias de primavera: mais comum do que pensas e, felizmente, com muito mais soluções do que a maioria das pessoas imagina.

Na Farmácia d'Arrábida, são estas as semanas do ano em que mais ouvimos a mesma frase ao balcão: "Não quero tomar comprimidos todos os dias, não há mais nada?" A boa notícia é que há muito mais. A suplementação estratégica, as lavagens nasais com água do mar, os colírios adequados, os repelentes e as pulseiras anti-insetos são aliados poderosíssimos — e é sobre eles que vamos falar hoje.

 

O que acontece no teu corpo na primavera?

Antes de falarmos de soluções, vale a pena perceber o que se passa por dentro. Uma alergia é, em essência, uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que, para a maioria das pessoas, são completamente inofensivas. A essas substâncias chamamos alergénios.

Na primavera, os principais culpados são o pólen das gramíneas, da oliveira e do cipreste — espécies que atingem picos de polinização entre março e junho no sul de Portugal. Quando respiras esse pólen, o teu sistema imunológico identifica-o como uma ameaça e desencadeia uma reação em cascata: produção de anticorpos IgE, ativação de células mastocitárias e libertação de histamina — o mediador químico responsável pela congestão, comichão, espirros e olhos lacrimejantes.

A par do pólen, a primavera traz também:

  • Fungos e bolores, cujos esporos proliferam com a humidade
  • Ácaros do pó, que se reativam com o aumento da temperatura
  • Insetos, que reaparecem em força com o calor — mosquitos, vespas e abelhas

Mas há ainda outro fator que raramente é mencionado: um sistema imunológico desequilibrado ou um intestino com microbiota pobre amplifica as reações alérgicas. E é aqui que a suplementação faz toda a diferença.

 

Suplementação: trabalhar o sistema imunológico por dentro

Ao contrário do que muitos pensam, a suplementação para alergias não é uma "alternativa sem evidência". Há compostos naturais com estudos robustos que demonstram a sua capacidade de modular a resposta imunológica e reduzir a inflamação alérgica. A chave está em começar 2 a 4 semanas antes do pico de polinização — ou seja, agora é a altura certa.

 

Quercetina — o antihistamínico natural

A quercetina é um flavonóide presente naturalmente em alimentos como cebola, maçã, bagas e brócolos. O seu mecanismo de ação é fascinante: estabiliza os mastócitos (as células que libertam histamina), inibindo a sua desgranulação e, consequentemente, reduzindo os sintomas alérgicos como espirros, comichão e olhos lacrimejantes. Tem também propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que protegem os tecidos da mucosa durante a resposta alérgica.

Para potenciar a sua absorção, é habitualmente formulada em conjunto com vitamina C e bromelaína (enzima do ananás).

🌿 Produto recomendado: Solgar Quercetin Complex — fórmula com quercetina, vitamina C e bromelaína. Recomenda-se a sua toma antes do pico de polinização.

 

Vitamina C — a aliada antioxidante e imunológica

A vitamina C contribui para o normal funcionamento do sistema imunológico e tem ação antioxidante que protege as células do stress oxidativo causado pela inflamação alérgica. Além disso, sabe-se que a vitamina C participa na degradação da histamina, contribuindo indiretamente para a redução dos sintomas.

Nas épocas de maior exposição alergénica, as necessidades de vitamina C aumentam. Uma suplementação regular durante a primavera é uma estratégia simples e segura.

🌿 Produto recomendado: Vitafor Vit C3 — combinação de três diferentes fontes de Vitamina C: ácido ascórbico, ascorbato de sódio e palmitato de ascorbila. Esta combinação ajuda contribuir para melhor aproveitamento dos nutrientes pelo organismo.

 

Zinco — modulador imunológico essencial

O zinco é um mineral com papel central na maturação e na função das células imunológicas. A sua deficiência está associada a uma resposta imunológica exagerada e a uma maior tendência para reações inflamatórias — incluindo as alérgicas. Combinado com a vitamina C, o zinco representa uma das abordagens complementares mais estudadas no contexto das alergias sazonais.

🌿 Produto recomendado: Vitacê - vitamina C + zinco + equinácea para o normal funcionamento do sistema imunitário.

 

Probióticos — o intestino também manda nas alergias

Este é um dos temas mais fascinantes da imunologia moderna: o eixo intestino-pulmão. A microbiota intestinal comunica diretamente com o sistema imunológico e influencia a forma como o organismo reage aos alergénios. Um intestino com flora bacteriana diversificada e equilibrada "educa" o sistema imunológico a não reagir de forma exagerada a substâncias inofensivas.

Os probióticos modulam a resposta imune, reduzem a inflamação e melhoram a integridade da barreira intestinal. Estirpes como Lactobacillus rhamnosus e Lactobacillus acidophilus têm sido estudadas especificamente no contexto das alergias respiratórias sazonais.

🌿 Produto recomendado: Lactibiane Tolérance D — tomar diariamente, de preferência ao acordar em jejum, pelo menos 4 semanas antes da época de alergias e durante toda a primavera.

 

Ómega 3 — menos inflamação nas vias aéreas

Os ácidos gordos ómega 3 (EPA e DHA) são conhecidos pelos seus efeitos anti-inflamatórios sistémicos. No contexto alérgico, podem ajudar a reduzir a inflamação das vias aéreas e a modular a produção de mediadores pró-inflamatórios. São uma excelente adição a um plano de suplementação de primavera, especialmente em pessoas com alergias respiratórias ou asma alérgica.

🌿 Produto recomendado: Solgar Ómega 3 — desenvolvido para oferecer eficácia superior e absorção otimizada.

 

Águas do mar: a primeira linha de defesa nasal

As lavagens nasais com água do mar são uma das estratégias mais simples, seguras e subestimadas no tratamento da rinite alérgica. O princípio é direto: remover fisicamente os alérgenos (pólen, ácaros, fungos) da mucosa nasal antes que desencadeiem a reação inflamatória. É uma abordagem mecânica, sem efeitos secundários, segura para toda a família — incluindo grávidas e bebés.

Mas nem toda a água do mar é igual. É importante escolher a formulação certa para cada situação:

  • Formulação isotónica (mesma concentração salina que a mucosa nasal): ideal para higiene nasal diária e preventiva. Limpa delicadamente, humidifica e mantém a mucosa saudável sem efeito descongestionante forte. Recomendada para uso regular durante toda a época de alergias.
  • Formulação hipertónica (concentração de sal superior à da mucosa): tem ação descongestionante ativa, pois "puxa" o excesso de líquido da mucosa por osmose, reduzindo o edema e tornando as secreções mais fluidas. Indicada para episódios de congestão nasal intensa.

 

🌊 Produtos recomendados na Farmácia d'Arrábida:

  • Sterimar isotónico — para higiene diária, apto para toda a família.
  • Nasomar Descongestionante — formulação hipertónica especialmente desenvolvida para episódios de rinite alérgica. Descongestiona e remove alérgenos em simultâneo.
  • Sinomarin adulto — solução de água do mar natural, com boa tolerabilidade para uso frequente.

Dica de farmacêutico: utilizar o spray nasal antes de sair de casa nos dias de maior concentração de pólen e imediatamente após regressar do exterior é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a carga alergénica e atrasar o aparecimento dos sintomas.

 

Colírios: cuidar dos olhos sem descurar

A conjuntivite alérgica afeta cerca de 20% da população e é uma das manifestações mais incapacitantes da alergia sazonal. Olhos vermelhos, lacrimejantes e com comichão intensa são sintomas que afetam diretamente a qualidade de vida, a concentração e o sono.

Para além dos colírios com indicação médica, existem opções sem medicamento muito eficazes:

🧴 Produtos recomendados na Farmácia d'Arrábida:

  • Colírio de ácido hialurónico (ex: Bepanthene Gotas, Hylo Care) — lubrificam e protegem a superfície ocular, diluindo os alérgenos presentes e aliviando a irritação. Podem ser usados com muita frequência, são compatíveis com lentes de contacto (na formulação adequada) e não têm contraindicações.
  • Colírio com ectoína (ex: Ectodol Retard) — indicado no alívio da irritação ocular. 
  • Compressas refrescantes para os olhos — o frio tem efeito vasoconstritor e alivia a comichão de forma imediata. Aplicar compressas frescas (ex. Visex e Artelac) - para uma higiene suave para pálpebras e pestanas, ajudando a remover fisicamente os alergénios da superfície do olho.

Quando usar colírios lubrificantes: sempre que sentires comichão nos olhos em contexto de alergia, começa pelos lubrificantes. Se os sintomas persistirem ou forem muito intensos, fala com o teu farmacêutico para avaliar opções mais dirigidas.

 

Repelentes: porque a primavera também traz insetos

Com o calor e a vegetação em pleno vigor, a primavera é também a estação do regresso dos mosquitos, vespas e outros insetos. Para pessoas alérgicas ao veneno de himenópteros (abelhas e vespas) ou com reações locais exageradas a picadas de mosquitos, a proteção preventiva é essencial.

Os repelentes atuam de duas formas: os de base química (como o DEET ou o IR3535) têm eficácia cientificamente comprovada contra mosquitos vetores de doenças; os de base natural (citronela, lavanda, neem) são uma alternativa mais suave, especialmente indicada para crianças, grávidas e pessoas com pele sensível.

 

🛡️ Produtos recomendados na Farmácia d'Arrábida:

Repelente em spray com DEET ou IR3535 (ex: Previpic e Bodyguard) — alta eficácia, indicado para zonas de maior risco. Aplicar nas zonas expostas da pele antes de atividades ao ar livre. O IR3535 é recomendado pela OMS e considerado mais seguro para grávidas e crianças.

Repelente natural (ex: Chicco NaturalZ) — base de citronela, eucalipto ou neem. Mais suave, indicado para uso diário em crianças e peles sensíveis. 

 

Pulseiras repelentes: proteção discreta para toda a família

As pulseiras repelentes são uma solução cada vez mais popular — prática, discreta, sem contacto direto com a pele e adequada a praticamente todas as idades. Funcionam por difusão de compostos repelentes (óleos essenciais ou substâncias ativas impregnadas no material da pulseira) num raio de ação à volta do pulso.

Há diferentes tecnologias disponíveis:

  • Pulseiras com óleos essenciais (citronela, lavanda, gerânio, cravo): sem tóxicos nem biocidas, indicadas desde os 3 anos. Recarregáveis em alguns modelos.
  • Pulseiras com IR3535 (substância ativa recomendada pela OMS): tecnologia de libertação gradual, eficaz contra mosquitos transmissores de doenças como dengue, zika e malária.

 

🪬 Produtos recomendados na Farmácia d'Arrábida:

  • Parakito — pulseira recarregável com 6 óleos essenciais, 15 dias de proteção consecutiva, à prova de água. Disponível em adulto e criança (a partir dos 3 anos).
  • Byepic — impregnada com citronela  com tecnologia de libertação lenta. Apta desde os 3 anos.
  • Chicco Natural — pulseira com pastilha difusora de citronela, sem biocidas, resistente à água. Pode ser colocada no pulso, tornozelo, mochila ou tenda de campismo.

Para crianças pequenas: as pulseiras são frequentemente a melhor opção, pois evitam a aplicação de repelente diretamente na pele sensível dos mais pequenos. Coloca a pulseira no tornozelo ou na cinta da roupa em bebés que ainda levem as mãos à boca.

 

Medidas complementares: o que podes fazer no dia a dia

Os produtos ajudam mas combiná-los com hábitos simples multiplica a eficácia. Aqui ficam as recomendações que mais damos ao balcão:

  • Verifica o índice de pólen diariamente — o INSA disponibiliza o boletim de aeroalergénios em Portugal. Nos dias de contagem alta, reduz a exposição ao exterior.
  • Mantém as janelas fechadas de manhã cedo e ao fim da tarde — os picos de polinização ocorrem nestas janelas horárias.
  • Toma banho e troca de roupa assim que chegares a casa depois de estares no exterior. O pólen adere ao cabelo e à roupa.
  • Não seques roupa ao ar livre nos dias de maior polinização.
  • Usa óculos de sol ao sair — funcionam como barreira física para os olhos.
  • Evita fazer exercício ao ar livre nos dias de pico de pólen — reserva as corridas e passeios de bicicleta para depois da chuva ou para o interior.
  • Alimenta-te bem: reduz os laticínios (podem aumentar a produção de muco), os alimentos processados e o açúcar (pró-inflamatórios), e aumenta os alimentos ricos em quercetina natural (cebola, maçã, chá verde, bagas).

 

Quando deves procurar ajuda médica?

As soluções que te apresentamos são altamente eficazes como complemento e para casos ligeiros a moderados. Mas há sinais que devem levar-te a procurar o teu médico de família ou alergologista:

  • Sintomas muito intensos ou incapacitantes que não melhoram com as medidas acima
  • Crises de dificuldade respiratória, pieira ou tosse persistente
  • Reação alérgica grave a picada de inseto (inchaço rápido e generalizado, dificuldade em respirar) — neste caso, dirige-te urgentemente ao serviço de urgência
  • Desejo de realizar testes alérgicos para identificar exatamente os teus alergénios
  • Interesse em imunoterapia específica (a única abordagem que modifica a doença a longo prazo)

 

A primavera não tem de ser sinónimo de sofrimento. Com as estratégias certas — suplementação iniciada a tempo, higiene nasal regular com água do mar, proteção ocular, e uma boa barreira contra insetos — é completamente possível viver bem esta estação tão bonita.

Na Farmácia d'Arrábida, estamos aqui para te ajudar a construir o teu plano personalizado. Cada pessoa é diferente, cada alergia tem as suas particularidades — e é exatamente para isso que existimos: para te ajudar a encontrar a solução certa para ti. Temos todo o gosto em te ajudar. 🌿

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