FPS na cidade vs praia: precisamos sempre de protetor solar?

   03/23/2026 12:34:00     Home
FPS na cidade vs praia: precisamos sempre de protetor solar?

Admite: quando chega a primavera, tiras o protetor solar da gaveta só quando tens planos para a praia ou para um dia de sol intenso. E no dia a dia, a caminhar pela cidade, a conduzir, a sentar numa esplanada ao almoço,  achas que não é preciso. Não estás sozinho nesse pensamento. Mas estás enganado.

A verdade é que a radiação ultravioleta (UV) não pede licença para ser perigosa só porque o céu está nublado, ou porque estás entre prédios, ou porque a temperatura não convida ao bronzeado. E é exatamente durante a primavera, quando a intensidade solar começa a subir mas a nossa atenção ainda não acompanhou, que os danos podem acumular-se de forma silenciosa.

Neste artigo, vamos explicar-te, de forma clara e sem rodeios, qual é a diferença real entre a exposição solar na cidade e na praia, o que significa o FPS (e o que ele não faz), e como podes, e deves, integrar o protetor solar na tua rotina de primavera. E claro, deixamos-te algumas sugestões de produtos disponíveis na Farmácia d'Arrábida, para que a transição seja fácil e sem desculpas.

 

O sol não avisa — e a radiação UV também não

Antes de falarmos de FPS, é importante perceber o que estamos realmente a proteger. O sol emite radiação UV de dois tipos principais que nos chegam à superfície terrestre:

  • Raios UVB: responsáveis pelas queimaduras solares imediatas e pelo eritema (aquele vermelhão clássico depois de um dia de praia). São mais intensos no verão e em altitudes elevadas.
  • Raios UVA: penetram mais profundamente na pele, chegando à derme. São responsáveis pelo envelhecimento cutâneo precoce, manchas e estão associados ao desenvolvimento de cancro da pele. O detalhe crítico? Os UVA mantêm intensidade praticamente constante ao longo de todo o ano e conseguem atravessar o vidro. Isto significa que enquanto esperas o autocarro numa manhã de abril, estás a receber doses de UVA que se acumulam dia após dia. Sem queimadura, sem aviso, sem sintoma imediato — mas com consequências a longo prazo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a exposição cumulativa à radiação UV ao longo da vida é um dos principais fatores de risco para o cancro da pele, o tumor maligno mais comum na Europa. E grande parte dessa exposição acontece fora da praia — em situações quotidianas que desvalorizamos.

 

Cidade vs praia: a comparação que faz sentido

Não é que a cidade e a praia sejam iguais em termos de exposição solar — claramente não são. Mas a diferença é menor do que imaginas, especialmente durante a primavera.

Na praia:

  • A reflexão da areia pode aumentar a intensidade UV até 15–25%.
  • A água reflete e amplifica a radiação.
  • Há menos sombra disponível.
  • Tendes a estar mais tempo ao ar livre, com mais superfície de pele exposta.
  • A sensação de frescura da água engana, mas não reduz a radiação.

 

Na cidade:

  • Os edifícios criam sombra, mas também podem refletir UV entre superfícies.
  • O asfalto e o betão refletem radiação UV (em menor grau do que areia ou neve).
  • A exposição é fragmentada mas constante — no percurso a pé, nas esplanadas, a conduzir.
  • Os vidros dos automóveis e janelas bloqueiam UVB mas não UVA.
  • A perceção de risco é muito mais baixa, logo a proteção é raramente usada.

A diferença fundamental é esta: na praia, proteges-te porque sentes o perigo. Na cidade, não sentes, mas ele está lá.

E é aqui que mora o verdadeiro problema. A exposição urbana crónica, baixa intensidade mas diária, é responsável por uma parte significativa do fotoenvelhecimento e dos danos cutâneos ao longo dos anos.

 

O que significa realmente o FPS (e o que ele não garante)

O Fator de Proteção Solar (FPS) mede especificamente a capacidade de um protetor solar em bloquear a radiação UVB. A fórmula conceptual é simples: um FPS 50 significa que, em condições ideais, a pele demora 50 vezes mais tempo a ficar vermelha do que sem proteção.

Mas atenção a dois equívocos muito comuns:

  • FPS 30 bloqueia cerca de 97% dos raios UVB; FPS 50 bloqueia cerca de 98%. A diferença é de 1%, mas para peles claras, reativas ou com histórico de cancro da pele, esse porcento pode ser relevante.
  • O FPS não mede proteção UVA. Por isso, deves sempre procurar produtos com proteção de "largo espectro" (broad spectrum) ou com o símbolo UVA numa circunferência, que indica que a proteção UVA é pelo menos 1/3 do FPS total — segundo a norma europeia.

Outro ponto essencial: o FPS indicado na embalagem é calculado numa aplicação de 2 mg/cm². Na prática, a maioria das pessoas aplica cerca de metade disso. Isto significa que o FPS real que estás a obter pode ser bastante inferior ao indicado. Daí a importância de aplicar generosamente e reaplicar a cada 2 horas.

 

Primavera: a estação que apanha todos desprevenidos

Março, abril e maio são meses traiçoeiros em Portugal. A temperatura pode ainda não convidar a grandes exposições solares, mas o índice UV já sobe de forma considerável. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), durante a primavera o índice UV em Portugal pode facilmente atingir valores de 6 a 8 (alto a muito alto) nas horas de maior incidência, especialmente no sul do país.

A combinação de nuvens finas e radiação UV é particularmente perigosa: as nuvens filtram a luz visível (a sensação de "sol"), mas não bloqueiam significativamente os UVA e UVB. Resultado? Estás exposto sem sentir o sol, sem sentir calor, sem aquela pista visual que habitualmente te diz para te protegeres.

É também na primavera que começamos a passar mais tempo ao ar livre — as esplanadas enchem-se, voltamos às caminhadas, os fins de semana na praia começam. E a pele, ainda sem qualquer adaptação ao sol após o inverno, está especialmente vulnerável.

 

Como integrar o protetor solar na rotina de primavera

A resistência mais comum é esta: "é mais uma coisa para fazer de manhã". Compreendemos. Por isso, a chave está em tornar o protetor solar parte de algo que já fazes — não um passo extra, mas uma substituição ou uma fusão.

 

Para o rosto (cidade e dia a dia):

  • Substitui o hidratante da manhã por um hidratante com FPS50+ incorporado, ou aplica o protetor solar como último passo da rotina, antes da maquilhagem.
  • Opta por texturas fluidas, gel-creme ou spray — secam rapidamente, não deixam resíduo branco e encaixam facilmente na rotina.
  • Se usas maquilhagem, existem bases e BB creams com FPS integrado, mas lembra-te: a quantidade aplicada habitualmente não é suficiente para garantir a proteção indicada. Usa sempre o protetor solar por baixo.

 

Para o corpo:

  • Nas zonas expostas — mãos, antebraços, decote, nuca — aplica protetor solar antes de sair de casa.
  • Se costumas conduzir, não te esqueças do braço esquerdo e do lado esquerdo do rosto: os UVA atravessam o vidro.
  • Na praia ou em atividades ao ar livre prolongadas, aumenta para FPS50+ e reaplica a cada 2 horas ou sempre que saíres da água.

 

A regra da colher de chá:

Uma referência prática: para o rosto e pescoço, deves aplicar cerca de uma colher de chá de produto. Para o corpo inteiro, são necessárias 6 a 8 colheres de chá (ou o equivalente a cerca de 35 ml). Mais do que parece, não é? É por isso que o frasco acaba rápido, e está a funcionar.

 

Que protetor escolher? Os nossos produtos recomendados

Na Farmácia d'Arrábida, temos uma seleção cuidada de protetores solares para diferentes tipos de pele e diferentes situações. Aqui ficam as nossas sugestões para a primavera:

 

Para uso diário na cidade — rosto:

 

Para a praia e exposição prolongada — corpo:

 

Para crianças:

 

Para pele com manchas ou fotoenvelhecimento:

 

Mitos que precisamos de deixar para trás

Mito 1: "Com pele morena não preciso de protetor."

Falso. O fotótipo mais escuro confere alguma proteção natural adicional (equivalente a um FPS 4-5), mas não dispensa a proteção solar. O risco de cancro da pele existe em todos os fotótipos, e o fotoenvelhecimento também.

Mito 2: "Numa esplanada à sombra estou protegido."

Nem sempre. A sombra reduz a exposição direta, mas a radiação UV refletida e dispersa pode ainda atingir a tua pele. Sob uma sombra de guarda-sol, podes ainda estar a receber até 50% da radiação UV direta.

Mito 3: "O sol da primavera não queima."

Queima, sim. Especialmente a pele que passou o inverno sem exposição solar. A primavera, com o aumento do índice UV e a menor pigmentação de base, pode ser uma das épocas mais agressivas para a pele.

Mito 4: "Uma vez aplicado, dura o dia todo."

Não. A eficácia dos filtros degrada-se com a exposição ao sol, suor e contacto com água. A reaplicação a cada 2 horas é indispensável em exposição prolongada.

 

A proteção solar é um investimento diário

Não tens de fazer a vida à volta do protetor solar. Tens apenas de o tornar um hábito, como escovares os dentes. A diferença entre cidade e praia existe, mas é menor do que a maioria das pessoas pensa. E a primavera, com o seu sol traiçoeiro, é o momento certo para começar (ou retomar) esse hábito.

A pele que tens aos 40, 50 ou 60 anos é, em grande parte, o resultado das decisões que tomas mais jovem. O fotoenvelhecimento é cumulativo e irreversível mas é, em grande medida, prevenível.

Na Farmácia d'Arrábida, podes encontrar toda a gama de protetores solares que aqui referimos, com aconselhamento personalizado dos nossos farmacêuticos. Porque a melhor proteção é aquela que se adapta à tua pele, ao teu estilo de vida — e que vais realmente usar todos os dias.

 

 

Bibliografia

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