Colagénio: suplemento ou cosmética? O que diz a ciência
"Devo tomar colagénio em cápsulas ou é melhor usar um creme?" Esta é uma das perguntas que mais ouvimos aqui na Farmácia d'Arrábida e a verdade é que não há uma resposta única para toda a gente. Depende do que procuras, da tua rotina e, claro, do que a ciência nos diz sobre cada abordagem.
Hoje vamos falar abertamente sobre isso. Sem promessas exageradas, sem simplificações, mas também sem complicar o que não precisa de ser complicado.
O que é o colagénio e porque é que importa?
O colagénio é a proteína mais abundante do corpo humano. Está presente na pele, nos tendões, nos ossos, nas cartilagens e nos vasos sanguíneos, sendo basicamente a estrutura que mantém tudo coeso e firme. Na pele, é responsável pela elasticidade, firmeza e resistência. Quando os níveis são adequados, a pele tem aquele aspeto preenchido e saudável que todos reconhecemos.
O problema começa por volta dos 25 anos: a produção natural de colagénio começa a diminuir cerca de 1% ao ano. A partir dos 40, essa perda acelera, e após a menopausa pode ser ainda mais pronunciada. Estima-se que nos primeiros cinco anos após a menopausa se perca até 30% do colagénio dérmico.
Resultado? Rugas, flacidez, pele mais fina e articulações mais frágeis.
O colagénio em creme funciona?
Vamos ser diretos: o colagénio aplicado topicamente não consegue penetrar nas camadas mais profundas da derme onde seria necessário atuar. A molécula é demasiado grande para atravessar a barreira cutânea, e isso não é uma opinião, é física molecular.
Então para que servem os cremes com colagénio? Servem, e bem, mas por razões diferentes das que normalmente se pensa.
- A nível de hidratação superficial, o colagénio forma uma película na superfície da pele que reduz a perda de água transepidérmica, deixando-a mais macia e hidratada.
- Cria também um efeito tensor imediato que visualmente atenua as rugas. E alguns ingredientes presentes em cremes anti-idade, como péptidos de colagénio, retinol, vitamina C e niacinamida, estimulam os fibroblastos a produzirem mais colagénio endógeno. Esses ingredientes penetram e agem em profundidade.
Por isso, quando escolhes um creme "de colagénio", o que realmente importa é a lista de ingredientes completa, não apenas a presença do colagénio em si.
E os suplementos orais? A ciência diz que funcionam?
Aqui a resposta é mais animadora. Ao contrário da aplicação tópica, o colagénio hidrolisado ingerido por via oral é decomposto em péptidos e aminoácidos que circulam no sangue e chegam aos tecidos, incluindo a pele, as articulações e os ossos.
Vários estudos clínicos mostram benefícios reais:
- Um estudo com 69 mulheres entre os 35 e os 55 anos mostrou que tomar 2,5 a 5 g de péptidos de colagénio durante 8 semanas melhorou significativamente a elasticidade da pele (Proksch et al., 2014).
- Uma revisão sistemática de 2019 concluiu que a suplementação oral durante 90 dias trouxe melhorias na hidratação, elasticidade e redução de rugas (de Miranda et al., 2021).
- Estudos com atletas mostram também benefícios nas articulações, com redução da dor e melhoria da mobilidade (Shaw et al., 2017).
O tipo de colagénio também faz a diferença:
- Tipo I: é o mais abundante na pele, tendões e ossos, sendo o mais relevante para quem procura benefícios estéticos.
- Tipo II: está principalmente nas cartilagens e é mais indicado para problemas articulares.
- Colagénio marinho: derivado de peixe, tem excelente biodisponibilidade e é muito usado em suplementos para a pele.
- Colagénio hidrolisado: é a forma mais estudada e eficaz para suplementação oral, por estar pré-digerido em fragmentos menores que facilitam a absorção.
O que potencia os resultados do colagénio?
Seja por via oral ou tópica, o colagénio não trabalha sozinho. Há ingredientes que amplificam significativamente os seus efeitos:
- Vitamina C: é essencial para a síntese de colagénio. Sem ela, o corpo não consegue produzir colagénio de forma eficaz, por isso um suplemento sem vitamina C perde parte do potencial.
- Ácido hialurónico: complementa o colagénio na hidratação e na manutenção da estrutura da pele, e muitos suplementos já combinam os dois.
- Zinco e cobre: são minerais cofatores na síntese de colagénio, importantes para manter a estrutura proteica.
- Protetor solar: não pode faltar. O sol é um dos maiores destruidores de colagénio, e usar suplementos sem proteger a pele é como encher um balde com o fundo furado.
Então, suplemento ou cosmética?
A resposta honesta é: idealmente os dois, com expectativas realistas para cada um.
O suplemento oral atua nos fibroblastos, ajudando a estimular a produção de colagénio de dentro para fora. Com uso regular, pode melhorar a elasticidade da pele e trazer benefícios adicionais para as articulações. Os resultados costumam demorar entre 8 a 12 semanas a tornar-se visíveis.
A cosmética tópica atua sobretudo à superfície da pele. Alguns produtos com péptidos podem ter uma ação indireta nos fibroblastos, mas o principal benefício está na hidratação e no efeito imediato de pele mais luminosa e suave. Os resultados são mais rápidos, mas também mais temporários.
O suplemento trabalha de dentro para fora, com efeitos mais profundos e duradouros. A cosmética trabalha de fora para dentro, com resultados imediatos. Usados em conjunto, complementam-se e potenciam os benefícios um do outro.
Produtos que recomendamos na Farmácia d'Arrábida
Suplementos orais
Biocyte Collagen Express Marin — Colagénio marinho hidrolisado em dose elevada, com excelente biodisponibilidade. Indicado para quem quer resultados mais rápidos na pele e nas articulações.
Colagénius Beauty — Uma das marcas de referência no mercado português. A gama inclui várias formulações que combinam colagénio hidrolisado com ácido hialurónico, vitaminas e minerais. A versão Total Gold em ampolas é particularmente completa para uma rotina anti-idade intensiva.
Vital Proteins Collagen Peptides — 100% péptidos de colagénio em pó neutro, sem sabor, fácil de misturar em qualquer bebida. Ideal para quem prefere uma opção minimalista sem aditivos. Muito popular entre quem pratica desporto.
Vitafor Colagentek — Suplemento de péptidos de colagénio em pó, sem sabor e sem açúcar. Ajuda na formação de colagénio e na manutenção da pele e cabelo.
Cosmética que estimula o colagénio
Vichy Liftactiv Collagen Specialist 16 — Um dos cremes anti-idade mais completos da Vichy, com tecnologia Co-Bonding que potencia a produção de todas as famílias de colagénio. Atua sobre 16 sinais de envelhecimento.
Etat Pur Péptido-4 Pro-Colagénio 5 ppm — Ativo puro em concentração elevada, que estimula diretamente a produção de colagénio e reduz as rugas de expressão. Ideal para incorporar numa rotina personalizada.
Neutrogena Collagen Bank — Linha com micro-péptidos patenteados e bakuchiol, alternativa natural ao retinol, para reforçar o colagénio e melhorar a firmeza. Inclui creme hidratante com FPS 30 e gel-creme de olhos. Uma excelente opção para quem quer começar a usar cosmética pro-colagénio.
Perguntas frequentes
A partir de que idade devo começar a tomar colagénio? A produção começa a diminuir por volta dos 25 anos, por isso faz sentido começar de forma preventiva a partir dessa idade. Os benefícios são mais percetíveis e relevantes a partir dos 35-40 anos.
Quanto tempo demora a ver resultados com o suplemento? A maioria dos estudos aponta para melhorias visíveis entre as 8 e as 12 semanas de uso regular. A consistência é fundamental, não há atalhos.
Posso tomar colagénio se for vegetariano ou vegan? A maioria dos suplementos é de origem animal, bovina ou marinha. Existem alternativas vegan com ingredientes que estimulam a produção endógena de colagénio, como vitamina C, zinco e péptidos vegetais. Fala com os farmacêuticos da Farmácia d'Arrábida para te orientarmos melhor.
Grávidas podem tomar suplementos de colagénio? Recomendamos sempre que fales com o teu médico assistente antes de iniciar qualquer suplementação durante a gravidez.
Na Farmácia d'Arrábida, acreditamos que a melhor escolha é sempre a mais informada. O colagénio, seja em suplemento ou em cosmética, tem evidência científica real por detrás, mas os resultados dependem da consistência, da qualidade do produto e de uma rotina que faça sentido para ti.
Se tiveres dúvidas sobre qual o produto mais indicado para o teu tipo de pele ou para as tuas necessidades específicas, fala connosco. Estamos aqui para ajudar.
Bibliografia
[1] Avram, M. M., & Sandy, N. S. (2008). Subcutaneous fat in normal and diseased states: 2. Anatomy and physiology of white and brown adipose tissue. Journal of the American Academy of Dermatology, 53(4), 671–683. https://doi.org/10.1016/j.jaad.2005.05.015
[2] Brincat, M., Moniz, C. F., Kabalan, S., Versi, E., O'Dowd, T., Magos, A. L., Montgomery, J., & Studd, J. W. (1987). Decline in skin collagen content and metacarpal index after the menopause and its prevention with sex hormone replacement. British Journal of Obstetrics and Gynaecology, 94(2), 126–129. https://doi.org/10.1111/j.1471-0528.1987.tb02262.x
[3] de Miranda, R. B., Weimer, P., & Rossi, R. C. (2021). Effects of hydrolyzed collagen supplementation on skin aging: A systematic review and meta-analysis. International Journal of Dermatology, 60(12), 1449–1461. https://doi.org/10.1111/ijd.15518
[4] Proksch, E., Segger, D., Degwert, J., Schunck, M., Zague, V., & Oesser, S. (2014). Oral supplementation of specific collagen peptides has beneficial effects on human skin physiology: A double-blind, placebo-controlled study. Skin Pharmacology and Physiology, 27(1), 47–55. https://doi.org/10.1159/000351376
[5] Pullar, J. M., Carr, A. C., & Vissers, M. C. M. (2017). The roles of vitamin C in skin health. Nutrients, 9(8), 866. https://doi.org/10.3390/nu9080866
[6] Shaw, G., Lee-Barthel, A., Ross, M. L. R., Wang, B., & Baar, K. (2017). Vitamin C–enriched gelatin supplementation before intermittent activity augments collagen synthesis. The American Journal of Clinical Nutrition, 105(1), 136–143. https://doi.org/10.3945/ajcn.116.138594